Os Nossos Amigos

Mostrar mensagens com a etiqueta Parto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Parto. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, abril 24, 2009

Posições verticais encurtam trabalho de parto



Estar deitada durante a dilatação prolonga o trabalho de parto em cerca de uma hora, segundo uma revisão de estudos do The Cochrane Collaboration. Mais vantajoso, dizem os investigadores, é que a grávida fique de pé, sentada ou caminhe durante este período.

Foram analisados 21 estudos realizados em países desenvolvidos, desde a década de 60, envolvendo 3706 mulheres. Verificou-se que adoptar posições verticais durante a primeira fase do trabalho de parto (dilatação) retira uma hora ao processo.

«Na maior parte dos países em vias de desenvolvimento, as mulheres podem estar de pé ou caminhar durante a primeira fase do trabalho de parto, sem que isso produza algum efeito secundário», revelou Annemarie Lawrence, do instituto de saúde materno-infantil do hospital de Townsville em Queensland, na Austrália. «Com base nestes resultados, recomendamos que as mulheres sejam encorajadas a escolher a posição que considerarem mais confortável, alertando-as de que devem evitar permanecer deitadas», sublinhou.

Este resultado vai ao encontro das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o parto normal. No documento elaborado pela OMS, a liberdade de posição e movimento durante o trabalho do parto e o estímulo a posições não supinas (deitadas) durante o trabalho de parto e parto são duas das medidas consideradas «úteis e que deviam ser encorajadas».

As posições verticais têm a ajuda da gravidade como vantagem. Alguns estudos têm demonstrado ainda que o facto de se estar deitada durante o trabalho de parto pode levar o útero a comprimir vasos sanguíneos, fazendo com que as contracções sejam menos eficazes.

A mulher passou a estar deitada e imóvel durante o parto com a medicalização do nascimento. A monitorização do feto e das contracções, os toques vaginais e a observação do parto são mais fáceis de realizar pelos profissionais de saúde se a grávida estiver deitada.

Por isso, muitas maternidades portuguesas ainda têm como regra deitar as mulheres a meio da dilatação. No entanto, algumas instituições já permitem a permanência em pé, desde que não exista qualquer complicação e que tal seja solicitado pela mulher.

sábado, dezembro 06, 2008

Parto a fingir com mãe robô para treinar enfermeiros

«Nasomi», que significa Esperança em japonês, nasceu hoje com três quilos e sem chorar, já que, tal como a mãe, é um boneco com o qual os futuros enfermeiros especialistas em obstetrícia vão aprender as artes do parto.

A «bebé» nasceu pelas mãos dos experientes enfermeiros Nuno Lopes e Maria João Silva que fazem partos «a sério» no Hospital de Santa Maria, mas que hoje simularam um nascimento através de «Noelle», a boneca robô com a qual os estudantes da Escola Superior de Enfermagem vão praticar os partos.

A Noelle é feita de silicone e é uma mãe-robô de tamanho humano, grávida de um bebé robô. Ambos estão equipados com tecnologia que permite a programação de diversas situações obstétricas.

Hoje, a propósito da inauguração do Laboratório de Práticas de Saúde Materna da ESEL, que teve uma audiência concorrida, a intervenção correu sem complicações.

A demonstração começou com a grávida já no período expulsivo. Depois, seguindo as orientações do enfermeiro para a força e a respiração na altura certa, o bebé «nasceu».

Coube à enfermeira entregar a criança à mãe, não esquecendo os parabéns e os elogios: «Tem um bebé muito lindo», disse.

Esta sala, equipada ainda com uma cadeira de partos e uma piscina com outra boneca, de forma a simular o parto não medicalizado, deverá ser visitada por cerca de 300 estudantes.

De acordo com Luísa Sotto-Mayor, professora de enfermagem na ESEL e enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstetrícia, o investimento neste equipamento - no valor de 30 mil euros - tem o objectivo de preparar «os futuros enfermeiros e enfermeiros obstetras para dar assistência a situações de partos de risco, mas também para ser autónomos em situações de parto de baixo risco, nomeadamente partos normais».

A partir do próximo ano, todos os alunos do terceiro ano do curso de enfermagem dos vários pólos que constituem a ESEL terão acesso ao treino no Laboratório de Práticas de Saúde Materna, bem como os enfermeiros que frequentam o curso de pós-licenciatura de especialização em obstetrícia.

Este ano são 77 os futuros enfermeiros obstetras que beneficiam do treino neste laboratório.

Outros profissionais irão beneficiar desta estrutura, como os bombeiros que muitas vezes assistem as mulheres em trabalho de parto, e que poderão ter neste espaço cursos de preparação para o nascimento, segundo disse Filomena Gaspar, presidente do conselho directivo da ESEL.

Para Etelvina Tojal, directora do Departamento de Saúde Materna da ESEL, este tipo de formação permite que os enfermeiros, «quando vão para o exercício, levem já algum treino que é fundamental».

«O mais difícil para um estudante é perceber exactamente qual é a evolução que se está a dar durante o trabalho de parto e perceber se há algum desvio da normalidade. Este modelo permite-nos criar situações em que há alguns aspectos fora do normal e que leva o estudante a ter essa experiência», disse.

Diário Digital / Lusa

terça-feira, agosto 26, 2008

Testemunho de Parto da Mamã Cristina

No dia 21 de Julho de 2008 acordamos bem cedo, não dormi nada nessa noite com os nervos, acordamos por volta das 5 da manha para eu tomar o meu banhinho e um pequeno almoço e irmos buscar a sogrita (a mama já tava connosco) e partir em direcção a Viana do Castelo para estar lá bem cedinho, eram 7h30 e já lá estávamos a espera das 8 para entrar... As oito eu e o papa fomos fazer o check-in e rumamos em direcção ao 5º andar para a sala de espera, quando lá cheguei juntamente comigo estavam mais grávidas éramos tantas!!! Eu fiquei logo atrofiada pois a medica mandou-nos a todas no mesmo dia para nos induzir o parto, 5 minutos depois ouvi o meu nome, lá fui eu fazer o CTG que mais uma x não registava qualquer presença de contracções, e lá me dirigiram para o consultório da médica, e não é que quando me foram fazer o toque, mal me deito na marquesa rebentam-me as águas? já tinha 2 cm de dilatação, então a médica colocou-me umas “coisas” não sei bem o que era para acelerar o parto, fui buscar o papa e lá fomos nós para o gabinete três onde me vestiram a rigor e me deitei na cama, era ali onde eu e o papa iríamos passar o resto do dia, e era ali também onde eu iria ter o meu bebe.
Ligaram-me a CTG e já eu estava com contracções de 2 em 2 minutos, mas bastante controláveis, eu lá ia praticando a respiração, com a ajuda das fantásticas enfermeiras a quem eu tenho muito que agradecer.
Ate ao meio-dia tudo corria as mil maravilhas as contracções eram muito seguidas mas nada que não se controla-se.
A partir do meio-dia as coisas começaram a ficar um pouco criticas, tinha contracções muito seguidas e já me contorcia toda na cama nem havia respiração que me valesse pois por varias x que hiperventilei o que não ajudou nada.
As três veio a anestesista a doutora rosa, 5 estrelas, lá me pus na posição fetal e opa toca a administrar a epidural que não me custou absolutamente nada, 20 minutos depois já eu estava nas nuvens com a epidural na ser administrada a 12 ml/h. Deu para eu e o papa dormir mos uma soneca e que bem soube.
As 4 da tarde já eu tinha os 10 dedos de dilatação, e só ouvi a enfermeira a dizer que eu ia ser a primeira a despachar-me (mal eu sabia o que me esperava), a mulher que estava no gabinete do lado só tinha ainda um dedo de dilatação e tinha vindo primeiro que eu, só que uma hora depois para surpresa das surpresas ouvimos o primeiro bebe a dar um choro, a mais atrasada foi a primeira a despachar-se.
Lá veio a medica das cesarianas para os gabinetes e veio visitar-me as 6 da tarde e só me disse: “ Cristina a bebe esta muito subida, por isso puxe, aproveite as contracções”, e eu lá ia puxando a verdade é que sem vontade nenhuma, pois não sentia nada, entretanto vinham outras enfermeiras e obstetras faziam-me toques horríveis posso dizer pois estavam a tentar virar a bebe de barriga para baixo, a enfermeira parteira só dizia, é melhor passar-mos para cesariana ou ela não sai daqui, vinha a medica e dizia que eu tinha muito espaço só tinha era de puxar, e decidiu tirar-me a epidural, e aí sim, a partir daí foi horrível, as contracções eram fortíssimas eu contorcia-me como uma louca, admito que berrei e muito, e lá iam aparecendo enfermeiras e medicas a tocarem-me e eu estava prestes a dar em louca, a parteira não estava a gostar nada, e só ouvia “parece que vou ter de ir tirar outra x o curso”, tanto eu como o meu marido notamos que haviam um clima estranho entre elas, o que sobrou para mim, vinha uma e dava-lhe o copo para a mão ao alex, a seguir vinha outra e tirava-lhe, agora já podia beber agua, a seguir já não, uma dizia puxe, outra dizia para não puxar pois estava a cansar-me e eu ali, a assistir as zaragatas de médicos/enfermeiros, supliquei mil x para me ajudarem, chorei agarrada ao Alexandre, pedi por tudo para me tirarem as dores, e a parteira olhava para mim e só dizia “ filha desculpa eu adorava ajudar-te mas não posso fazer nada, a médica se quisesse já te tinha feito o parto não sei porque te estão a sujeitar a isto”.
Estava prestes a dar em louca, e nos a ouvirmos bebes a chorar e a velas a correr de uns gabinetes para outros para fazer outros partos, as dez lá decidiram que era a minha hora, veio a medica e a outra médica (a que a substituiu quando foi de ferias a que denominei GO substituta), e lá depois de berrarem comigo pois eu só me encolhia com as contracções (depois de 4 horas a penar com elas ao máximo) e lá trouxeram as ventosas, o meu maridão do meu lado direito a dar-me toda a força do mundo, a parteira sentou-se ao fundo do gabinete e só olhava para mim com cara de piedade, comecei a puxar com as contracções o máximo que podia quando a outra médica se colocou em cima de mim com os cotovelos, aí sim, ai estava mesmo a desfalecer, a médica tentava com as ventosas mas sempre que tinha uma contracção a bebe subia e a ventosa nada podia fazer, e eu lá puxava com todas as minhas forças ate que levei duas tesoiradas e só vi o alex a encolher-se, no meio de tanto puxar e de tantos cotovelos em cima lá sinto a minha bebe a sair de mim, e só ouço o Alexandre dizer, Amor é cabeluda como o pai, e a médica a dizer-me “olhe a sua filha” eu levantei a cabeça e vi-a nas mãos da médica que logo a pousou em cima de mim, eu delirei, naquele momento passou tudo olhei para ela a ouvi-la chorar, e escorreram duas lágrimas na minha cara, não consigo descrever o que senti, é daquelas coisas que por mais anos que vivamos nunca vamos conseguir descrever o que sentimos, o papa cortou o cordão como um grande, e a parteira (que afinal nada fez) pediu-me autorização para lhe passar a bebe para a vestir etc., e eu lá lhe passei a minha mais que tudo.
Nasceu a Ana Sofia as 22:40 com 3790kg e 53 cm.
A médica lá saiu a correr para outro gabinete e eu lá fiquei (de pernas abertas hehe) a ver a minha filha a ser lavada e vestida, a enfermeira chegou ao pé de mim e disse-me, parabéns foi uma grande mulher. O papa lá foi mostrar a menina a famelga que se encontrava toda na sala de espera.
Quando voltou sentou-se ao meu lado e ficamos os dois a admirar a nossa beldade, eu continuava com contracções e as 23:30 lá sai a placenta e lá nos estiveram a amostrar e a explicar como o bebe estivera etc.
Logo depois chegou a medica para me coser, enquanto ela me cosia eu admirava a minha filha que se encontrava nos braços do pai.
Ela chorava tanto, tanto, ate que vi a cabeça dela e estava toda ferida e inchada, decidiram chamar o pediatra para lhe dar qualquer coisa para as dores a bebe.
O papa teve de ir embora e eu depois de ter levado 8 pontos externos e mais uma quantidade deles internos agarrei a minha filha nos braços e admirei cm por cm da face dela, depois de ser vista pelo medico meteram a no meu peito e ela mamou como uma grande mulher.
As 3 da manha passara-me para o quarto a bebe ainda chorava muito (naquela noite ninguém dormiu na maternidade) as 6 da manha o remédio fez efeito e ela acalmou-se.
O resto dos dias foi muito calmos.

Agora digo a todas as mamas e futuras mamas, eu sofri muito foram 14 horas de parto muito complicadas, temi pela vida da minha filha, senti-me fraca e impotente mas depois de a a ter nos braços tudo passou e hoje digo por ela passaria tudo outra x ate a dobrar se fosse preciso!
Nós as mulheres temos a capacidade de esquecer muito depressa. Pois o amor vence tudo.

O meu marido foi a ajuda mais preciosa que poderia ter. O facto de termos alguém ao nosso lado a dar-nos força é muito importante, é 50% da ajuda para um parto mais fácil.

As instalações do hospital (CHAM) são 5 estrelas, temos um quarto super bem equipado para cada grávida e é lá que tudo acontece desde o período de dilatação ate ao parto, exames do bebe, recobro etc.
É um hospital que esta muito bem equipado para um hospital publico.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Testemunho da Mamã Sandra

Olá o meu nome é Sandra Almeida, tenho 35 anos e sou Mãe de 2 filhotes… a Mónica de 31 meses e o Vasco de 15 meses, um casalinho portanto!
A diferença entre o Vasco e a Mónica é que o Vasco está comigo na Terra e a Mónica está no Céu junto aos outros Anjos… partiu às 37 semanas e meia de Gestação!
Estávamos no dia 25 de Maio de 2005 quando soube que estava grávida depois de mais de 1 ano nos “treinos intensivos” e já quando começava a pensar que estava algo a correr mal com a minha fertilidade. Foi um dia muito emotivo, corria-me mil e uma coisas na cabeça… nem queria acreditar que finalmente ía ser Mãe!
Em Setembro e contra todas as expectativas soube que vinha a caminho uma menina… comecei logo a imaginar os vestidinhos, as mini-saias de ganga, os totós, os ganchinhos e tudo o que podemos chamar de feminino!!
Desatei a comprar imensas coisas, a bordar lençóis, babetes, fraldas, a fazer planos para a minha pequenina.
Juntamente com o marido decidimos que o nome da nossa filha seria Mónica, aquela menina da banda desenhada que bate nos meninos com o coelhinho!
No dia 28 de Dezembro de 2005, dia do 1º CTG, combinei com a minha Obstetra que o parto seria induzido a 11 de Janeiro de 2006, dia do 3º CTG e quando a Mónica faria 38 semanas e meia de gestação. Fiquei contente pois andava ansiosa para a conhecer e já estava cansada dos 30 kg ganhos na gravidez.
No dia 4 de Janeiro de 2006, fui fazer o 2º CTG… lembro-me de comentar com o meu marido de que faltava 1 semana para conhecer-mos a Mónica.
Cheguei à Clínica, deitei-me na marquesa para dar inicio ao CTG… a assistente da Dra colocou o aparelho dum lado e do outro e nada… o coração da Mónica não se fazia ouvir… olhei para o meu marido receosa de estar alguma coisa a correr mal. Veio a Dra, tentou novamente e nada… levantei-me da marquesa e fui para o Ecógrafo… bastou 1 minuto para a médica mandar-me vestir e dirigir-me urgentemente ao Hospital mais próximo… perguntei o que se passava… respondeu-me: “Minha querida, nada me garante que a sua filha tem vida!”
Fiquei sem palavras… não queria acreditar… o que estava acontecer??? “Ainda há 15 minutos atrás eu estava tão feliz e agora estão a dizer-me que a minha filha não tem vida???”
No hospital ouvi o veredicto final… a Mónica morreu 1 semana antes de nascer…
Induziram-me o Parto (nestas situações a cesariana é desaconselhada para a mulher poder engravidar mais rapidamente) e após 38 horas de trabalho de parto, nasceu a Mónica às 8:45 da manhã no dia 6 de Janeiro de 2006, Dia dos Reis… sem vida!
Tinha 2.715 Kg e era morenaça, de olhos rasgados, cabelo escuro muito comprido… muito bonita o meu Anjo!
Dia 11 de Janeiro, dia em que a minha bebé ía nascer, foi enterrada… o berço branco que a aguardava lá em casa foi substituído por um caixão da mesma cor…
Confesso que desde o momento em que ouvi que a minha filhota não tinha vida que deixei de viver… durante meses e meses andei dormente, anestesiada… tudo o que fazia era mecânico!
A autópsia, os exames à placenta e ao cordão umbilical e todos os exames feitos a mim (que foram imensos) estavam bons… não houve motivos para a morte da minha Mónica… diagnóstico: Morte Súbita In Útero.
6 meses depois daquele fadítico dia, soube que estava novamente grávida... foi um misto de sentimentos pois se por um lado era o que eu queria, por outro lado o medo de tudo voltar a acontecer era enorme!
Às 12 semanas de gravidez descobri que o bebé tinha a Translucência da Nuca (TN) aumentada para 2,9mm, logo a possibilidade de ter Trissomias ou problemas do Foro Cardíaco eram enormes!
Chorei 2 dias seguidos, deitada na minha cama e com os estores corridos… não queria falar nem ver ninguém… estava zangada com Deus e com o mundo em geral!
2 semanas depois fiz a Amniocentese… esperei pelo resultado quase 3 semanas… ao todo foram 5 semanas de uma espera horrível!!
Fui compensada pela espera e o resultado deu negativo… o meu menino (sim, um menino) não tinha deficiências mentais. Seguiu-se a Eco Fetal onde também deu um resultado negativo… estava a gerar um bebé saudável!!
No dia 24 de Abril de 2007, às 18:01, dei à luz um rapazola de 3.955 Kg, com 51 cm… lindo…
Naquele momento voltei a chorar… mas agora de alegria intensa… o meu bebé estava ali comigo… vivo!
Hoje eu digo… tenho 2 filhos no coração… um levaram-me para se tornar Anjo num Céu azul… o outro está comigo para eu poder abraçar…
Com a experiência que vivi, liguei-me a uma Associação com o nome de Projecto Artémis, associação que apoia mulheres vítimas de aborto e morte fetal… lá eu posso ajudar muitas mamãs que como eu perderam os seus bebés… tornei-me numa pessoa melhor… conheci pessoas extraordinárias… tudo por “culpa” da minha Mónica.
Tenho muito orgulho nos meus 2 filhos, com eles aprendi muita coisa… com eles cresço todos dias como ser humano… afinal os filhos são a melhor coisa do Mundo!
A vocês que tiveram a paciência para ler tudo isto… NUNCA desistam dos vossos sonhos… pois para lá de um Céu enevoado, há um Sol esplendoroso!!!!



sexta-feira, julho 25, 2008

Dar a volta ao medo

«As mulheres crescem a ouvir histórias terríveis sobre o parto», afirma Luísa Condeço, doula e co-fundadora da Associação Doulas de Portugal.
«Às vezes, é para alguém exorcizar o seu próprio parto traumático, outras vezes é apenas porque sim, porque faz parte do ritual de passagem.»
Ofélia Moreira, fisioterapeuta com formação na Área da Saúde Materna, acompanha grávidas em sessões de preparação para o nascimento há 11 anos e confirma esta ideia: «As histórias dos partos que correm mal têm muito eco, passam de boca em boca durante muito tempo», afirma. «Um parto que corre bem, e felizmente é o que acontece na maior parte dos casos, não tem eco. Quando as grávidas começam a fazer a preparação para o parto, sente-se muito a importância dessas histórias que trazem consigo, onde se incluem, claro, as experiências de parto das suas mães», conta.
Neste contexto, caracterizado por alguns como de terrorismo psicológico, é frequente que o medo seja o sentimento dominante em relação ao nascimento de um filho.

O medo da dor
A dor é uma sensação muito subjectiva.
E a maneira como a encaramos é decisiva no desenrolar do trabalho de parto. De um modo geral, as mulheres estão à espera da dor, pensam no parto como uma situação em primeiro lugar dolorosa.
O terrorismo psicológico já referido faz da dor o principal ingrediente do parto.
E quando aparecem as primeiras contracções, o cérebro interpreta-as logo como dor, mesmo que ainda dêem apenas um desconforto.
O trabalho das doulas passa muito pelo desmistificar de ideias feitas, com a ajuda de evidências científicas, e pela mentalização positiva.
Em relação à dor, «explicamos que a melhor estratégia para enfrentar a dor é encará-la como uma aliada, sempre partindo do princípio que ela pode ou não existir.
É óbvio que não podemos dizer que não vai doer, mas podemos ajudar a grávida a encará-la de uma forma positiva», conta Luísa Condeço.
«Esta dor deve ser a única que não significa que alguma coisa está mal no nosso corpo. Pelo contrário, está dor significa que o nosso corpo está a fazer o seu trabalho.
A dor tem uma função fisiológica, leva a mulher a descontrair-se entre as contracções, a libertar analgésicos naturais e conduz a um estado alterado de consciência.
Isto não acontece se amulher estiver tensa desde o início. Se estiver preocupada em combater a dor, está a enfatizar essa dor.
Se aceitarmos a dor, ela é relativizada e consegue-se descontrair, relaxar entre contracções, contribuindo para uma maior libertação de occitocina», explica Luísa.
«Mostramos também que a natureza é sábia: deu-nos as contracções para nos ajudar, mas também nos deu os intervalos entre elas, para podermos descansar, respirar fundo. Temos de saber aproveitá-los».
Ofélia Moreira corrobora esta ideia, afirmando que há um ciclo vicioso entre três factores: medo-tensão-dor.
«Quando há medo aumenta a tensão, que aumenta a dor. Na preparação para o parto, ajudamos a mulher a ter mais confiança e a não entrar neste cíclo. Se estiver descontraída, a dor fica mais controlada», explica.
«De qualquer forma, penso que o medo da dor começa a não ser o principal medo das grávidas, a não ser que tenham ouvido histórias muito negativas. Com a epidural, penso que o medo da dor se torna secundário», acrescenta.

O medo do desconhecido
O medo do desconhecido é outro dos receios mais referidos pelas grávidas que vão ser mães pela primeira vez.
E não é para menos, uma vez que é grande o desconhecimento em relação ao próprio corpo. A nossa sociedade afastou-nos tanto da natureza, que nos afastou do nosso próprio corpo. «Estamos muito longe do nosso lado mais biológico, mais animal», afirma Luísa. ~
A ignorância das mulheres sobre o seu corpo não ajuda.
Não aprendem a ouvir o seu corpo, não testemunham o nascimento de crianças próximas, só conhecem as histórias terríveis, de modo que o desconhecido faz nascer, muitas vezes, medos infundados», defende.
Por isso, a informação é importante.
Informação objectiva sobre todo o processo, sobre o que se passa no corpo e sobre o que se passa no hospital.
«As mulheres que procuram uma doula querem informação porque sentem que parir não pode ser só sofrimento», afirma Luísa.
Diogo Ayres de Campos, director do Serviço de Obstetrícia do Hospital de S. João, no Porto, concorda que o medo da dor e o medo do desconhecido são, hoje, os grandes temores das grávidas.
Por isso, também defende que a preparação é essencial para atenuar o medo: «Já existe hoje, nos hospitais, uma preocupação com os aspectos psicológicos envolvidos no parto e, por isso, há programas de preparação no próprio hospital, que incluem uma visita guiada ao bloco de partos.»

O medo do hospital
Se por um lado o hospital oferece segurança à maior parte das mulheres, por outro pode ser um motivo de angústia, de receios. «Saber que se vai estar em trabalho de parto num ambiente sem privacidade, saber que se vai estar sujeita a procedimentos assutadores é seguramente um motivo para ter medo.
Não acredito que haja uma mulher que não tenha medo de uma episiotomia.
O medo do hospital pode também vir na sequência de um primeiro parto traumático», conta Luísa Condeço.
«Cada vez mais, as mulheres sentem que têm o direito de fazer escolhas.
E é isso que lhes mostramos», acrescenta.

Os medos escondidos
Para além de todos estes medos muito objectivos, há também medos que têm origem em processo psicológicos complexos, quase sempre inconscientes.
Por exemplo, o medo da morte. O facto de a morte ser hoje muito pouco provável no momento do parto não afastou esse medo. «É uma situação de risco, uma situação limite. Mesmo quando se consegue um estado alterado de consciência, é frequente as mulheres dizerem «vou morrer», conta Luísa Condeço.
Na sua opinião, «o facto de não lidarmos bem com a morte faz com que também não lidemos bem com o nascimento».
Mas há outros medos escondidos: a vergonha (que é o medo de perder a compostura); o medo da separação do bebé; a angústia de deixar de ser apenas filha para passar a ser também mãe. «O parto coloca-nos perante nós mesmas. Isso pode ser assustador.
Mas podemos ficar com mais força, se deixarmos vir ao de cima o nosso lado mais primitivo», afirma Luísa Condeço.

O efeito do medo
É concensual que o medo e a expectativa que temos em relação ao parto condiciona a forma como este se desenrola. «Penso que o medo pode condicionar a progressão do trabalho de parto, sim, há algumas evidências nesse sentido.
A explicação fisiológica é que o medo faz subir os níveis da adrenalina, o que faz diminuir os níveis da occitocina, a hormona responsável pelas contracções», explica Diogo Ayres de Campos.
Luísa Condeço reforça esta ideia: «O medo faz libertar adrenalina o que pode fazer parar a progressão do trabalho de parto.
Isso gera mais ansiedade e mais medo na mãe e até na equipa médica. Temos de deixar de encarar o parto como um sofrimento do princípio ao fim.»
E conclui: «Precisamos de redescobrir a nossa capacidade inata de parir.»

quarta-feira, julho 16, 2008

Porto: Ordem da Lapa acolhe primeiro parto dentro de água realizado num hospital português


A Ordem da Lapa, Porto, foi esta semana palco do primeiro parto natural levado a cabo em Portugal dentro de água em contexto hospitalar.

"O bebé saiu, deu um empurrão com os pés, olhou logo a procurar a mãe e moveu-se logo para se aproximar dela", afirmou Isabel Ferreira, a parteira responsável por este momento, que considerou "histórico".

O casal Júnia (ela própria também parteira) e Pedro haviam já decidido que o parto do Simão Pedro seria natural, sem recurso a quaisquer anestésicos, como o Epidural.

"A técnica de parto natural que mais garantias dava de alívio de dor era o da água mas não há no Porto hospitais que disponham de banheiras fixas para o efeito. Pensou-se no Hospital Pedro Hispano (Matosinhos), que demonstrou toda a abertura mas que disse preferir primeiro criar uma equipa formada nesta área. Acabámos por optar por uma clínica privada, usando uma banheira portátil", explicou a enfermeira.

A banheira utilizada é semelhante às usadas nos partos dentro de água já realizados em Portugal no domicílio, "mas como o casal queria um acompanhamento médico seguro montou-se a estrutura na Ordem da Lapa".

Para além de permitir uma convalescença muito mais rápida - o casal teve alta logo no dia seguinte ao do parto, que decorreu terça-feira - esta técnica provoca menos lacerações no corpo da mulher e permite ao próprio bebé mais sensações de prazer, visto não serem usados medicamentos que normalmente inibem a normal produção de endorfinas pela mãe.

Quanto ao parto em si, "é algo de extraordinário. O Simão pôs a cabeça de fora tranquilamente e eu disse à mãe para lhe dar uma festa. Ela esticou a mão e acariciou o filho. Depois ele saiu e ficou ali, dentro de água com os olhos abertos", descreveu Isabel Ferreira.

Sem trauma de maior, visto transitar de um elemento líquido (placenta) para outro (água), a criança pode aguentar dentro de água o tempo que for necessário, visto a respiração surgir apenas quando as suas vias aéreas são colocadas em contacto com o ar.

"É um mito falso o que diz que a criança pode morrer afogada dentro de água", salientou a parteira, que tirou um curso de uma semana na Bélgica, onde esta técnica já é usada há mais de 30 anos.

Concluído "com sucesso e com magia" este primeiro parto natural dentro de água, a equipa que o acompanhou - que inclui ainda a enfermeira Teresa Marinho, a obstreta Matilde Cordeiro e a pediatra Lurdes Lemos - pretende agora lutar para que ele passe a ser mais comum nas instituições de saúde públicas e privadas.

quinta-feira, maio 15, 2008

Semana Mundial pelo Parto Respeitado


A Semana Mundial pelo Parto Respeitado é uma iniciativa da Alliance Francophone pour l'Accouchement Respecté (Aliança Francófona pelo Parto Respeitado), uma associação não governamental, criada em 2003.
Celebra-se desde 2004, sempre no mês de Maio, havendo iniciativas em inúmeros países no sentido de divulgar a importância de um nascimento humanizado e respeitado.
Todos os anos é proposto um tema que é depois trabalhado em cada país, pelas organizações que tomam iniciativas neste âmbito.

Este ano o tema é a separação desnecessária e prejudicial da mãe e do bebé após o nascimento. Foram propostos slogans como «Não os separem» ou «É o NOSSO bebé

Que no os separen!
Em Espanha a associação «El Parto es Nuestro» criou um site, onde é possível descobrir e aprofundar as razões pelas quais é tão importante manter o bebé junto da mãe após o nascimento.

Temos Direito!
A HumPar (Associação Portuguesa pela Humanização do Parto) traduziu e pôs em destaque na homepage do seu site quatro filmes promocionais de uma campanha em defesa do parto respeitado, produzida pela organização não governamental argentina «Dando a Luz».
Os vídeos foram protagonizados por figuras públicas daquele país que quiseram, de forma voluntária, associar-se a esta causa.

Na Argentina existe uma lei, aprovada em Novembro de 2004, que diz: «Toda a mulher tem o direito ao parto natural, com respeito pelos tempos biológicos e psicológicos e evitando práticas invasivas e a administração de medicação que não sejam justificadas pelo estado de saúde da parturiente ou da pessoa por nascer.»

Porque a lei nem sempre é respeitada, foi produzida esta campanha com o slogan «Temos direito



quinta-feira, maio 08, 2008

Parto Orgásmico

Mostra paralela ao Festival Caminhos do Cinema Português - 22 a 25 de Maio de 2008
Entrada Grátis


Esta mostra de filmes sobre a experiência do parto vai buscar o seu título a um dos filmes em exibição. Serão apresentados filmes dos Países Baixos, EUA, Rússia, Guatemala, México, Argentina, Brasil e Espanha. O que os une é a forma como nos apresentam partos naturais em que o poder é restituído à mulher, não sendo este seu ritual de passagem mediado por máquinas ou drogas. As únicas drogas presentes são as hormonas naturais. ["The same pleasurable stimuli triggered during sex, can also be released during birth." Debra Pascali-Bonaro, em http://www.orgasmicbirth.com/].
Fica o convite para entrar nesta viagem pela intimidade de vários nascimentos e por diferentes modelos de cuidado perinatal, que seguramente o levará a reexaminar a forma como se vive o parto em Portugal. As sessões de filmes são seguidas de palestras sobre diversos temas àvolta da questão do parto e debates.


Local da mostra:
Festival Caminhos do Cinema Português
Mini-auditório do Edifício AAC (Associação Académica de Coimbra)
Rua Padre António Vieira3000-315 Coimbra

sábado, abril 12, 2008

Hospitais desafiados a fazer partos na água

O primeiro hospital do país a dinamizar uma experiência piloto de parto na água vai receber gratuitamente todo o equipamento necessário. A técnica é já muito utilizada em vários países europeus, mas só agora começa a dar os primeiros passos em Portugal.

O desafio foi lançado, ontem, em Sesimbra, pela Bionascimento, que já proporcionou apoio a 16 partos deste género em Portugal. Inédita, a acção de formação realizada ontem no Cineteatro Municipal contou com a presença de 170 profissionais de saúde materno-infantil, a grande maioria enfermeiros.

"São muitas as mulheres que procuram o parto na água no contexto hospitalar e não têm resposta", lamenta Sandra Oliveira, da Bionascimento. "Qualquer hospital do país tem condições para oferecer experiências de parto na água às mulheres", enaltece, acrescentando que para isso basta ter água quente e um espaço livre para colocar uma piscina própria para o efeito.

Fonte: JN

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Terapias não-convencionais II



NO PARTO:

Acupunctura

Acupunctura significa literalmente “espetar agulhas” e designa a prática de inserir agulhas muito finas na pele com a finalidade de estimular pontos específicos (acupontos) provocando ou não apenas um pequeno desconforto. Estes pontos são estimulados para equilibrar o movimento de energia no corpo, ou segundo a bioquímica, para estimular as endorfinas (substâncias naturais que eliminam a dor).

A acupunctura é uma terapia alternativa que pode ajudar a grávida a relaxar o corpo e a mente durante o parto. A procura desta técnica está a crescer, mas a falta de informação, o medo das agulhas e a não-aceitação por parte da maioria dos hospitais portugueses são alguns dos obstáculos a esta técnica milenar.

A acupunctura pode ser utilizada para acelerar o trabalho de parto, diminuir as dores de parto e até facilitar a rotação do bebé quando este se apresenta numa posição incompatível.

Pedro Choy, presidente da Associação Portuguesa de Acupunctura e Disciplinas Associadas (APADA), não tem dúvidas acerca das vantagens da acupunctura no parto e acredita que é por falta de informação que as mulheres não solicitam mais vezes esta técnica. Segundo ele, o parto é acelerado, durando cerca de 2 a 3 horas desde o início das contracções até à expulsão. Todas as grávidas podem optar por um parto sem dor através da acupunctura, pois esta técnica não tem quaisquer efeitos secundários, ao contrário de outros fármacos muito utilizados durante o trabalho de parto, como por exemplo a epidural. A acupunctura induz o relaxamento, reduz o estado de ansiedade e diminui a dor.

Existem dois pontos que foram referidos como aceleradores do trabalho de parto, um localizado na mão e outro acima do tornozelo. O ponto intestino grosso 4 (Ho-Ku) está localizado nas costas da mão, na rede muscular entre o polegar e o dedo indicador; o ponto Baço 6 (San-Yin-Chiao) situa-se um pouco acima da face interna do tornozelo. Existe ainda um ponto localizado na raiz da unha do dedo mínimo do pé, que permite posicionar correctamente a cabeça do bebé no colo do útero.

Através da acupunctura, as dores do parto podem ser eliminadas em cerca de 98%, por isso, é apenas importante escolher um terapeuta devidamente formado e credenciado para a assistência durante o trabalho de parto e obter a autorização da instituição onde este se vai realizar.

Homeopatia

Diversos remédios podem ser usados durante o parto para aliviar a dor, dependendo do estado emocional e físico da mãe. Por exemplo A Coffea e a Belladona, são indicados para contracções muito violentas e dolorosas. Para acelerar um trabalho de parto lento, o homeopata pode sugerir Secale ou Pulsatilla.

Fitoterapia

Para tensão e dor, com contracções curtas e agudas, ou um colo que não dilata, pode indicar-se erva-de-são-cristóvão azul, cramp bark, inhame-silvestre ou folhas de framboesa em chá ou em tintura. Para acelerar um parto lento, pode usar-se chá de folhas de framboesa com um misto de erva-de-são-cristóvão preta ou azul e gengibre.

Hipnoterapia

A auto-hipnose, ensinada em 5 a 10 sessões em grupo antes do parto, reduz a percepção da dor em cerca de um terço, mas pode por vezes resultar em partos completamente indolores. Também acelera em cerca de um terço o parto.

Reflexologia

A reflexologia encoraja a calma e o relaxamento, reduzindo o desconforto e acelerando o parto. Estudos sugerem que se obtêm partos mais rápidos e bons níveis de alívio da dor.

Aromaterapia

A aromaterapia pode ser 60-70% eficaz na redução da dor no parto, utilizando óleos de alfazema, salva e erva-cidreira.

Cromoterapia

O vermelho (a cor da energia) pode fortalecer contracções fracas e assim acelerar um parto lento. A mãe deve vestir calças vermelhas, pois o efeito estimulante geral da luz vermelha pode ser demasiado para o bebé. O ambiente do nascimento deve ter cores e luzes cor-de-rosa quente e azul-pálido, pois são cores calmantes.

domingo, fevereiro 10, 2008

Parteiras realizam mais de metade dos partos

Enfermeiros defendem o aumento da taxa de partos normaisMais de metade dos partos em Portugal são executados por parteiras. A taxa de partos normais poderia aumentar, caso fossem aplicadas algumas recomendações. Estas são algumas das ideias em debate na reunião da Confederação Internacional de Parteiras.

"Em todo o país, 55 a 60% dos partos são executados por parteiras, pelo que, em princípio, a taxa de partos normais será a mesma", disse Vítor Varela, fundador e ex--presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros Obstetras e representante dos países do Sul da Europa na Confederação Internacional de Parteiras (ICM).

O enfermeiro defendeu a necessidade de "aumentar a taxa de partos normais", o que poderá ser conseguido através da divulgação de "algumas recomendações práticas". Representantes de associações de enfermeiros-obstetras de Portugal, Espanha, Itália, França, Grécia, Malta e Chipre aprovaram, esta semana, no Porto, "por unanimidade", uma proposta de norma de procedimentos para a realização de partos normais que pretendem que seja adoptada em todo o Mundo.

"Há necessidade de reconhecer, facilitar e mesmo auditar o parto normal nos nossos serviços e nas nossas maternidades", salientou o enfermeiro-obstetra no Hospital de São Bernardo, em Setúbal. Vítor Varela referiu que a norma agora aprovada vai ser levada à Comissão Executiva da ICM e, posteriormente, ao Conselho-Geral da confederação, que deverá reunir-se em Maio.

Defensor de que "dar à mulher a hipótese de um parto natural é uma missão do serviço público", Vítor Varela fundou e dirigiu até 2005 a Associação Portuguesa de Enfermeiros Obstetras, que está reunida no Porto.

Para aquele responsável, em Portugal "vive-se o modelo médico, em que não é reconhecida a qualificação e a responsabilidade dos enfermeiros-obstetras, ou parteiros, apesar de estes serem abrangidos por uma directiva comunitária".

Em causa está a norma 2005/36/CE, de 7 de Setembro, que aguarda transposição para o direito interno e que contém alguns pontos não consensuais para a comunidade médica, nomeadamente no artigo 39.º, relativo ao "exercício das actividades profissionais de parteira".

Fonte: JN

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Deixem os pais assistir ao nascimento dos filhos

Mesmo em caso de cesariana, pede pediatra. «Homem também é dono do momento»

O pediatra Mário Cordeiro apelou ao Ministério da Saúde que autorize os pais a assistir ao nascimento dos filhos, mesmo em caso de cesariana, defendendo que os homens têm todo o direito a acompanhar o parto, noticia a Lusa.

»A Direcção-Geral da Saúde e o Ministério da Saúde deviam ser implacáveis e estabelecer uma regra para todos, obviamente com base científica», afirmou Mário Cordeiro em entrevista à agência Lusa.

Para o especialista, «não se justifica» que os hospitais tenham regras diferentes para partos distintos, dando o exemplo de unidades privadas que têm normas opostas sobre a presença dos pais quando se trate de parto natural ou cesariana com epidural.

Na generalidade dos hospitais portugueses, quer públicos quer privados, a presença do pai quando o parto é natural é já uma prática comum, mas quando é realizada uma cesariana (mesmo só com recurso a epidural, estando a mãe acordada) muitas instituições opõem-se à presença paterna.

«Se é um nascimento, devem estar lá as pessoas envolvidas. Os donos do momento são ambos os pais; os médicos e enfermeiros são apenas uma espécies de auxiliares», argumentou, comparando a presença dos profissionais de saúde com os técnicos de som de um qualquer espectáculo de um grande grupo de música.

«No dia seguinte a um concerto dos Rolling Stones, as manchetes e os jornais falam é da banda e eventualmente dedicam um pequeno espaço aos técnicos de som e luzes. Mas os verdadeiros protagonistas continuam a ser os músicos, apesar de não haver espectáculo sem um técnico de som», comparou.

O pediatra, autor de diversos livros sobre crianças, atribui «à arrogância profissional» de alguns profissionais de saúde a recusa da presença do pai, em algumas unidades, quando o parto é feito por cesariana. «Garanto-lhe que se for o obstetra ou o enfermeiro a ter um filho, ele estará lá no momento do nascimento», adiantou.

Fonte: PortugalDiário

domingo, fevereiro 03, 2008

Ver o mar e comer durante o parto

A ideia de um parto longo surge usualmente associada ao sofrimento da mãe ou do bebé, mas a realidade pode ser diferente, incluindo períodos de sono, refeições ligeiras e até passeios de automóvel.

Elisabete Carvalho, operadora televisiva de 27 anos, decidiu ter o primeiro filho dentro de água e, após 75 horas em trabalho de parto - uma demora excepcional mesmo para um parto natural -, o seu filho David nasceu no dia 23 de Julho, em Cascais.

"Durante o trabalho de parto, eu viajei de automóvel, fui ver o mar e nunca deixei de me alimentar com sopa, chá e bolachas. Enquanto as contracções foram mais ligeiras, consegui dormir cinco ou dez minutos", salientou, acrescentando "Tive o parto que tinha idealizado. Fui a primeira pessoa a tocar nele".

"As contracções causaram-me dores semelhantes às do período menstrual, mas durante a expulsão não tive dor alguma. Não houve qualquer complicação", disse.

"Tinha uma parteira de prevenção, que veio para a minha casa com o equipamento para fazer o CTG (cardiotocografia, um exame que avalia o batimento cardíaco do bebé e os seus movimentos) e que ia monitorizando se estava tudo bem", sublinhou Elisabete Carvalho que nunca excluiu o recurso ao hospital.

Fonte: JN
03/02/08

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Hospital com sala para partos naturais

Grávidas terão música e exercícios de relaxamento para darem à luz tranquilamente

O Hospital de São João, no Porto, disponibiliza às grávidas, a partir de sexta-feira, um bloco para partos naturais onde algumas «velhas práticas» foram abolidas e se dá tempo ao tempo para nascer.

Os partos induzidos, as anestesias, as tricotomias (rapagem dos pêlos púbicos) e os clisteres estão excluídos do novo bloco, pensado para as grávidas sem pressa, que ali vão poder recorrer à hidroterapia, à música e a exercícios de relaxamento para darem à luz tranquilamente.

Simulador de parto português produzido nos EUA

Na nova estrutura, a grávida pode escolher a posição que lhe é mais conveniente para dar à luz e praticar exercícios com a bola e a corda de parto.

«A bola permite que a mulher se sente sobre ela e oscile, relaxando a zona pélvica, e a corda, suspensa num ponto alto da sala de partos, pode ser usada para fazer força», explicou Diogo Ayres de Campos, médico responsável pelo bloco de partos, à agência Lusa.

A episiotomia (corte do períneo, uma área muscular localizada entre a vagina e o ânus, para facilitar a expulsão do bebé) «só será realizada nos casos em que for realmente necessária», sublinhou ainda Diogo Campos, que se congratulou por a taxa desta intervenção no Hospital «ser actualmente de 54 por cento, quando era de 87 por cento há três anos».

«O soro, que costuma ser colocado à grávida assim que esta entra no hospital, também deixa de ser rotina, e a futura mãe vai poder circular num ambiente familiar, sem a presença de estranhos, além de ter à sua disposição chuveiro e banheira com hidromassagem», contou o clínico do Hospital de São João.

Mas apesar de a água ser um recurso para o relaxamento e o amenizar das dores da grávida, o médico do São João exclui a possibilidade de os partos ocorrerem no meio aquático.

«Como são conhecidos casos de complicações em bebés que nasceram neste meio, só faremos partos na água quando houver indicações de que são pelo menos tão seguros como os realizados em ambiente normal», declarou Diogo Ayres de Campos à Lusa, acrescentando que «o parto na água não é um parto natural».

A realização do parto fora do ambiente hospitalar também é encarada com renitência por Diogo Campos, segundo quem «em Portugal não existe uma estrutura montada para apoiar esse tipo de nascimento, ao contrário do que sucede em países como a Holanda», onde apenas as gravidezes de risco têm acompanhamento hospitalar.

Diogo Ayres de Campos revelou-se ainda favorável à criação de casas ou centros de parto, uma vez que Portugal ainda não dispõe de nenhuma estrutura deste tipo.

Para o médico, os centros de parto representam «o equilíbrio ideal entre a casa e o hospital» e, «se são uma solução em muitos países europeus, não há razão para não resultarem em Portugal».

Fonte: PortugalDiário

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Quando o bebé não dá a volta

Uma das preocupações dos pais à medida que se aproxima o final da gravidez é saber se o bebé «já deu a volta». E se não chegar a virar-se de cabeça para baixo? Como será o parto?
O bebé em apresentação pélvica é aquele que se encontra longitudinalmente no útero materno, com a cabeça junto ao fundo uterino e as nádegas ou os pés junto ao canal de parto.
Esta situação acontece em cerca de 3 a 4% das gestações de termo (entre as 37 e as 41 semanas).
Independentemente da via de parto - parto vaginal ou cesariana - sabe-se que o risco de morte destes fetos antes, durante e após o parto é cerca de duas a quatro vezes superior relativamente aos fetos em apresentação cefálica.
Este risco atribui-se à maior percentagem de malformações fetais, parto pré-termo e prolapso do cordão, durante o trabalho de parto, associados a este tipo de apresentação fetal.

Por que é que o bebé não «deu a volta»?
Na maioria dos casos não se sabe a razão pela qual os bebés adoptam a posição pélvica no útero materno, mas existem situações mais frequentemente associadas a esta situação:
- Prematuridade
Quanto mais pequeno for o feto, maior é a área de mobilidade in útero, pelo que não sente necessidade de se acomodar ao útero materno, posicionando-se mais frequentemente com a pélvis junto ao canal de parto.
- Malformações uterinas ou massas pélvicas
No caso de miomas, aderências ou alterações anatómicas do útero materno, bem como aumento de volume dos ovários ou trompas, por formações quísticas ou outras, os fetos podem ter necessidade de adoptar posições mais confortáveis do que a vulgar apresentação cefálica.
- Malformações ou anomalias fetais
Fetos com lesões ou malformações ao nível do cérebro, nervos, músculos ou membros apresentam menor capacidade de mobilização dentro do útero, impedindo-os de se posicionarem de uma forma mais adaptada à cavidade uterina;
- Multiparidade
Em grávidas já com um ou mais filhos, a capacidade de distensão uterina é maior, pelo que os fetos têm a capacidade de adoptar diferentes posições igualmente confortáveis.
- Gravidez gemelar
No caso de gémeos, o espaço dentro da cavidade uterina tem que ser partilhado, pelo que por uma questão de aproveitamento da área existente, um dos fetos pode apresentar-se pélvico;
- Anomalias no volume do líquido amniótico
Em casos de líquido amniótico aumentado na bolsa onde o feto se encontra, a capacidade de mobilização fetal é bastante maior, não havendo necessidade de adaptação da cabeça ao canal de parto.
Quando o líquido se encontra reduzido, o feto tem mais dificuldade em mobilizar-se, pelo que se torna complicado «dar a volta» e colocar-se de cabeça para baixo.
- Tipo de inserção da placenta
Situações em que a placenta se encontra prévia, ou seja, a tapar o orifício de saída do útero, pode existir dificuldade na adaptação da cabeça fetal ao canal de parto, bem como uma menor mobilidade fetal pela posição baixa de inserção do cordão umbilical.
Diferentes posições
Os bebés pélvicos podem apresentar três posições distintas no útero materno:
- Modalidade Incompleta Modo de Nádegas
Esta é a posição mais comum dos fetos pélvicos, encontrando-se em 50 a 70% dos casos. Apresentam as coxas flectidas sobre o abdómen e as pernas em extensão, de forma a que os pés se encontrem junto à sua face.
- Modalidade Incompleta Modo de Pés
Na segunda posição mais frequentemente encontrada (10 a 30% dos casos), pelo menos um dos membros inferiores apresenta-se em extensão total, com o pé junto ao canal de parto. - Modalidade Completa.
Esta é uma situação rara (5-10% dos casos), em que as coxas e as pernas do bebé se encontram igualmente flectidas, de forma a que ambos se encontrem junto ao canal de parto;
Vigilância da Gravidez
A vigilância da gravidez para um bebé pélvico é igual à de qualquer outra gravidez.
No entanto, é fundamental conhecer a situação antes do parto para que tudo seja planeado da melhor forma, quer para o feto, quer para a mãe.
Assim, a consulta das 36 semanas é imprescindível para a confirmação da posição fetal, a qual, na maioria das situações, se mantém até ao momento do parto.
Esta pode ser conhecida através da palpação fetal via abdominal materna, do toque vaginal e da ecografia que, em última análise, confirma inequivocamente a posição do feto.
Além da posição, a ecografia é imprescindível para o diagnóstico da modalidade do pélvico e cálculo da estimativa do peso fetal, as quais terão implicações na decisão da via de parto.
Ao confirmar-se a existência de um feto pélvico, sem malformações aparentes e sem contra-indicações para parto via vaginal, por volta das 37 semanas, é possível tentar reverter a situação, ajudando o feto a posicionar-se de cabeça para baixo, com uma pressão e manipulação fetal via abdominal materna.
Esta técnica obstétrica, chamada Versão Externa, é realizada por um obstetra experiente em meio hospitalar, sob monitorização fetal contínua (CTG), após administração de um relaxante muscular uterino, no sentido de facilitar a manobra.
A taxa de sucesso ronda os 60%, encontrando-se dependente da experiência do obstetra, da quantidade de líquido amniótico, do panículo adiposo abdominal materno, da paridade materna (número de partos anteriores), da idade gestacional, da posição do dorso fetal, da modalidade da apresentação e da inserção placentar.
Após uma Versão Externa eficaz, a taxa de retorno do feto à apresentação pélvica, nos dias subsequentes, é da ordem dos 3 a 5%.
Importa salientar que, apesar de esta técnica ter benefícios, os riscos podem existir num pequeno número de casos, obrigando à suspensão imediata da técnica e, por vezes, a uma cesariana de emergência.
Destes, destacam-se a rotura de membranas, o descolamento placentar, as hemorragias feto-maternas, a compressão do cordão umbilical e as lesões fetais ósseas ou viscerais.
Como Nascem os Fetos Pélvicos?
A melhor forma de nascimento para os fetos pélvicos tem sido alvo de grandes controvérsias obstétricas, desde há vários anos, pelo que os estudos científicos não têm parado no sentido de apurar quais os riscos e benefícios materno-fetais, inerentes às duas possíveis vias de parto (parto vaginal ou cesariana).
Assim, na sequência do primeiro grande estudo multicêntrico realizado a nível Mundial (Term Breech Trial), em 2001, o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) recomendou a realização de Versão Externa sempre que possível e, caso não fosse eficaz, a realização de cesariana programada nos fetos pélvicos, excepto em caso de parto eminente ou em gestações gemelares com o segundo feto nesta apresentação.
A razão desta decisão prendeu-se com os resultados talvez prematuros do dito estudo que revelava uma morbimortalidade perinatal superior em caso de parto via vaginal.
Depois destes resultados publicados e da recomendação emitida pela ACOG, o número de cesarianas por apresentação pélvica aumentou exponencialmente, deixando para trás a via vaginal, a qual se tornou uma raridade nos últimos cinco anos.
Os estudos científicos não pararam e muito se tem contraposto relativamente aos resultados polémicos do Term Breech Trial.
As contestações científicas têm sido variadas, pondo-se mesmo em dúvida a forma como o referido estudo terá sido realizado e estruturado.
Os resultados científicos mais recentes publicados a longo prazo em termos de morbimortalidade infantil e desenvolvimento psico-motor das crianças que foram fetos pélvicos, não revelam diferenças estatisticamente significativas entre as duas vias de parto, não podendo ser esquecido o maior risco materno no grupo das cesarianas, inerente a uma cirurgia. Na sequência dos novos conhecimentos, a ACOG reformulou as suas recomendações em caso de fetos pélvicos, readmitindo a hipótese de parto via vaginal, desde que respeitados criteriosamente requisitos impostos pela mesma

quinta-feira, outubro 11, 2007

Epidural: quem dispensa?

Poucas mulheres dizem não à epidural. Quem já experimentou, não tem dúvidas. Como que por magia, a dor desaparece.

A analgesia epidural é uma técnica anestésica que elimina as dores do parto sem afectar a mobilidade da grávida. Ou seja, não impede que ela faça força para o bebé sair.
O segredo reside em aplicar uma substância anestésica onde ela é realmente necessária: nas terminações nervosas responsáveis pela dor.
Neste caso, nas raízes nervosas a nível da coluna, responsáveis pela sensibilidade no abdómen.
A mensagem da dor viaja do útero em contracções até ao cérebro, através da coluna vertebral.
O objectivo da analgesia epidural é interromper essa trajectória e impedir que aquela mensagem chegue ao cérebro.
A ciência e a arte do anestesista consistem em aplicar a menor dose possível de anestésico para uma eficácia máxima.
Ou seja, é preciso acabar com a dor, mas manter a mobilidade da grávida.
Um anestesista experiente sabe bem como conseguir este feito. É a arte de eliminar apenas a dor.
O objectivo não é a ausência total de sensação, só a sensibilidade dolorosa é que deve desaparecer.
A epidural tem vindo a ganhar popularidade e hoje já são poucas as mulheres que a recusam por completo.
Com a analgesia epidural, asseguram os especialistas em Anestesiologia, consegue-se um parto mais tranquilo, sem dor e com menos repercussões para o feto.
A solicitação da parturiente é justificação suficiente para a intervenção do anestesista desde que haja condições e nem mesmo quando o parto está iminente o médico deve recusar fazer qualquer coisa para diminuir a dor.

Quando?
A partir de uma dilatação entre 3 a 4 centímetros procede-se à administração da analgesia epidural. Esta anestesia demora cerca de 20 minutos a fazer efeito.
Por isso, se a dilatação começar a avançar rapidamente, pode não haver tempo para administrá-la.

Termo de responsabilidade
Para que se dê início à analgesia por via epidural, é obrigatória a obtenção do consentimento informado da parturiente, a discussão com o obstetra sobre o status materno e fetal e a existência de meios imediatamente disponíveis, como equipamento de ressuscitação e fármacos, para resolução de eventuais complicações que possam ocorrer.
O período de cuidados pós-analgesia ou pós-anestesia deverá contar com a disponibilidade de um anestesista, para a eventualidade de necessidade de tratamento de complicações ou de ressuscitação cardiopulmonar.

Riscos
A epidural é uma técnica invasiva e como tal tem riscos.
Mas felizmente, são poucos os casos em que as coisas correm mal.
As consequências mais frequentes da epidural estão relacionadas com imprecisões na perfuração, o que pode acontecer porque a mulher se mexe, por exemplo.
Isto pode provocar fortes dores de cabeça e cefaleias que, no entanto, acabam por desaparecer ao fim de alguns dias.
Existem igualmente riscos de complicações neurológicas, embora estas sejam bastante raras.
Os défices neurológicos permanentes é o grande medo das mulheres e podem acontecer uma vez em cada 20 mil epidurais, e os défices neurológicos temporários que duram no máximo seis meses podem ocorrer uma em cada 800 analgesias epidurais.
Se está grávida, não deixe para o fim o esclarecimento de todas as dúvidas relacionadas com a epidural.
Fale com o seu obstetra e com o anestesista que a vai acompanhar no parto.
Desfaça os mitos e informe-se.
A informação é, seguramente, a sua melhor arma contra o medo da dor.

Contra-indicações da epidural
- Recusa ou incapacidade colaboração da parturiente
- Coagulopatia
- Infecção local ou sistémica
- Hipertensão intracraniana
- Choque ou hipovolémia grave



segunda-feira, setembro 24, 2007

Parto Vaginal

domingo, setembro 02, 2007

Resgatando o parto natural
29 de Setembro de 2007 pelas 14h30m
Tao centro de yoga e bem-estar - Figueira da Foz

Inscrições até 26 de Setembro


Os desenvolvimentos que foram acontecendo, em especial a partir da segunda metade do século passado e em particular na área da saúde, e que nos acompanham na actualidade, têm sido colocados à disposição do ser humano no sentido de dar respostas a algumas das suas necessidades. Verifica-se contudo que todos estes recursos têm vindo a ser utilizados de forma indiscriminada, traduzindo muitas das vezes modificações do comportamento humano. O parto tem sido dos exemplos mais paradigmáticos do quanto o recurso à tecnologia e ao medicamento foi modificado na sua essência. De um processo natural e humano, foi transformado em processo patológico que necessita de internamentos, medicamentos e actos médicos complicadíssimos.O resgate do parto como evento natural e humano impõe-se hoje à alternativa do parto medicalizado e intervencionado no sentido de devolver à mulher o protagonismo deste evento e o poder do momento.

Objectivos do workshop:
* Conhecer as diferentes perspectivas do parto nos nossos dias;
* Obter informações sobre o parto nos nossos dias;
* Conhecer quais as ajudas que se pode ter na assistência ao parto;
* Conhecer as vantagens para a mulher, família e sociedade do parto natural;
* Desmistificar tabus e mitos sobre o parto;
* Conhecer métodos de alívio da dor no parto natural;
* Conhecer diferentes formas de parir no parto natural;


Intervenientes:

Aleksandra Berg
Antropóloga da Cultura especializada em Antropologia da Saúde e Doula da Associação de Doulas de Portugal. Ainda durante os estudos integrei a equipa do European Environment Centre, em Varsóvia, ONG dedicada à sensibilização ambiental a nível europeu. Em 2001, numa parceria com a associação Quercus, viajo para Portugal e desenvolvo o projecto de voluntariado europeu "Pensam que é por milagre – Usos da Natureza na Cultura Popular das Beiras”. Fui bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) no projecto de investigação "Vivências de Saúde e Bem-Estar" na Universidade Aberta, que incidiu sobre os hábitos de vida e suas implicações na saúde.

António Manuel Rodrigues Ferreira
Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstétrica a trabalhar no Bloco de Partos de uma Maternidade Central e, como Professor convidado, no Instituto Superior Jean Piaget de Viseu na Escola Superior de Saúde. Mestrado em Ciências da Enfermagem, Pós-graduação em Pedagogia da Saúde, Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde, Formação de Formador, Formação/Formador em Aleitamento Materno.

Cristina Silva
Doula da Associação de Doulas de Portugal. Delegada distrital da Humpar (Associação Portuguesa de Humanização do Parto) do distrito de Coimbra. Fez formação de Doula pela Associação de Doulas de Portugal e pela DONA International (Doulas of North América). Como Doula oferece apoio emocional, informativo e físico a mulheres na gravidez, parto e no pós-parto. É autora do blog “Sobre(viver) a Cesariana” (http://sobcesaria.blogspot.com/) que trata de questões sobre humanização do nascimento e colabora no blog da Associação de Doulas de Portugal (http://doulasdeportugal.blogspot.com/). Criou um fórum de apoio direccionado especialmente para mulheres submetidas à cesariana e grávidas. É mãe de um menino com 2 anos e é engenheira civil de formação académica.

Mary Zwart
Parteira Holandesa. Graduada pela "Amsterdam Midwifery School" em 1969. Recebeu formação de enfermagem no Leiden Academic Hospital. Exerceu a profissão de forma liberal de 1973 até 1996. Desde 2000 que participa num movimento pela humanização do nascimento no Brazil. É fundadora da European Perinatal School assim como é membro da European Network of Consumers and Childbirth Educators and the Coalition for Improving Materity Services. Mary gosta de ensinar obstetrícia internacionalmente e recentemente voltou a exercer a profissão de parteira. Tem uma filha e gosta de colecionar objectos obstétricos.

Para inscrições:
Tao centro de Yoga e bem-estar
Pr. General Freire de Andrade (Praça Velha) 20 1º
São Julião - Figueira da Foz
telefone: 91 423 80 10
email: tao.centro@gmail.com
Preço por pessoa: 25 euros
Preço por casal: 40 euros

segunda-feira, agosto 20, 2007

Cordão umbilical pode reduzir riscos de anemia

Um estudo de um conhecido obstetra inglês aconselha os médicos da especialidade a atrasar o corte do cordão umbilical no momento do nascimento para, assim, reduzir os riscos de anemia nos bebés. As investigações de Andrew Weeks, docente da Universidade de Liverpool, foram publicadas, anteontem, na conceituada publicação "Jornal Médico Britânico".

No referido estudo, o obstetra Andrew Weeks defende que ao conservar-se intacto o cordão umbilical, durante três minutos, consegue-se acrescer sensivelmente o nível de ferro no organismo do bebé. Nesse sentido, será possível reduzir os riscos de anemia no recém-nascido.

Sangue rico em oxigénio

As investigações do clínico britânico indicaram que cerca de metade das maternidades britânicas corta o cordão umbilical, imediatamente a seguir ao nascimento. Segundo o obstetra, essa acção, se for retardada alguns minutos, permite que os pulmões do recém-nascido recebam um sangue rico em oxigénio, até ao momento em que a sua respiração está totalmente normalizada, acrescendo assim as suas taxas de ferro.

Apesar de reconhecer que é mais complicado retardar o momento do corte do cordão umbilical em casos de nascimentos prematuros ou de cesariana, o obstetra inglês sustenta que isso seria também proveitoso para os bebés.

Seguir caminho da OMS

"Há actualmente elementos sólidos que permitem concluir que o corte imediato do cordão umbilical não é benéfico nem para a mãe nem para o bebé, podendo mesmo ser prejudicial", escreve Weeks no seu artigo.

"A Organização Mundial de Saúde e a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia retiraram as recomendações de corte imediato do cordão umbilical. É já tempo que outros sigam esse caminho e encontrem meios práticos para incorporar nos partos o corte retardado do cordão umbilical", recomenda ainda.


terça-feira, julho 31, 2007

O parto!!!




O método Léboyer

Na década de 70, o obstetra francês Fréderick Léboyer, criou um método que pode ser adotado em qualquer posição que a mulher queira dar à luz. Ele surgiu como uma crítica à forma violenta em que o bebê era recebido: pendurado de cabeça para baixo e levando palmadas nas nádegas para respirar, numa sala clara demais e cheia de médicos e assistentes. Léboyer sustentou que o parto era um processo simples e natural, portanto deveria ser tratado como tal, ou seja, o bebê seria recebido num ambiente acolhedor e por poucas pessoas. Em vez de pendurá-lo, o médico deveria coloca-lo sobre o peito da mãe para ser acariciado e se sentir protegido. O cordão seria cortado depois desse contato, quando ele já estivesse respirando por si mesmo, sem palmadas e sem choros. As alterações que ele introduziu, influenciaram a maneira de como os médicos viam o parto e ampliaram o poder de escolha das mulheres sobre posições mais confortáveis e naturais de dar à luz. Mesmo as que se submetem à cesariana, tem o direito de receber o filho no peito antes que lhe cortem o cordão e o levem para exames.

É melhor relaxar - O bebê agradece

Desde sair de casa, chegando à maternidade e durante todo o parto, quando as contrações uterinas ficam mais fortes e intensas, o bebê continua precisando receber de sua mãe sinais de segurança e tranqüilidade. Afinal, ele também está passando por momentos penosos, já que para ultrapassar o estreito caminho da bacia, é obrigado a efetuar difíceis movimentos com seu corpinho que ainda não está acostumado a isso. Mas como transmitir segurança e tranqüilidade num momento como esse, quando as contrações são fortes, intensas, e o desejo de conhecer aquele pequeno serzinho deixa as mães ansiosas e tensas? Não é difícil. E, levando-se em consideração que nesse entrosamento mãe/filho depende muito o bom desenrolar do parto, vale a pena tentar. O simples fato da mamãe estar consciente da necessidade de se manter calma e relaxada durante todo o trabalho de parto, já é um importante passo para alcançar este objetivo.

PAPAI! - Preciso de você

Na hora do parto, apenas a companhia do obstetra e seus assistentes, não deixa a futura mamãe mais tranqüila. Portanto é imprescindível que mais uma pessoa esteja ao seu lado. O papai. Infelizmente ainda há maternidades que proíbem a presença do pai na sala de parto. Mas, quase todas as particulares a permitem. O acompanhamento do pai do bebê durante o trabalho de parto, além de dar apoio a futura mamãe, permite com que ele se sinta mais útil, ao contrário do que se estivesse alí fora esperando pela vinda de seu filho. Além disso, ele terá a vantagem de ser uma das primeiras pessoas a segurar o pequenino.

Silêncio! - Meu bebê vai nascer

A mamãe, já em posição para dar à luz, deve receber instruções do obstetra e seus assistentes, sempre em voz baixa. Desta maneira eles a auxiliam mais do que gritando, deixando-a mais descontraída. Esta é uma regra que deveria ser seguida com rigor. Na verdade, mais do que expressões nervosas ditas em voz alta, do tipo Faça força! É agora! Ajude! Já está nascendo!, a mulher precisa nesse momento, de paciência, silêncio, compreensão e segurança, para que possa voltar ao seu ritmo próprio e reequilibrar-se a cada contração mais forte. Este tipo de comportamento, no entanto, depende muito da equipe médica que vai atende-la.

As várias formas de dar à luz

Em linhas gerais, há duas maneiras de parto: naturais e operatórios. Os naturais são aqueles que podem ser feitos sem a intervenção direta do médico. Já os operatórios necessitam de instrumentos cirúrgicos. Conheça agora, os vários tipos de parto.

Parto de cócoras

O parto de cócoras, a forma mais antiga de dar à luz e ainda comum em algumas aldeias indígenas, volta a conquistar as mulheres urbanas.
É a maneira mais fácil de expulsar o bebê, pois a gravidade puxa o peso para baixo e colabora no trabalho de parto, acelerando a dilatação iniciada pelas contrações. A abertura maior da vagina e da bacia óssea, provocadas pela posição, deixam o canal de parto desimpedido.
A posição de cócoras também aumenta a irrigação sangüínea da pélvis e favorece a distribuição da endorfina na região, um analgésico fabricado pelo próprio organismo da mulher, durante as contrações, para diminuir a dor. Por isso, na grande maioria dos casos, não há necessidade de anestesia neste tipo de parto. Não que ele não doa, mas dói menos e durante menos tempo. Na posição acocorada o bebê nasce, em média, 40% mais rápido do que nos partos feitos na posição horizontal.
Como é um parto mais rápido e que facilita a expulsão, o perigo de uma demora na saída do bebê, que pode causar falta de oxigenação do seu cérebro e outros traumatismos, fica descartado. Quando a cabeça aponta, a mãe faz bastante força - aliás, um desejo inevitável e incontrolável, quando as contrações começam - e a criança desce. Depois de cortar o cordão umbilical, o médico puxa a placenta, que cai naturalmente.

Parto na água

A cada dia que passa, mais mulheres planejam ter seus filhos dessa forma. Como a criança vive, durante toda a gravidez, no líquido aminiótico, nada mais natural que entre em contato com o mundo externo através da água.
Uma pergunta, porém, é inevitável: "Será que meu filho vai se afogar?". A resposta é não. Quando nasce, o bebê ainda respira pelo cordão umbilical por pelo menos vinte segundos, durante os quais expande seus pulmõezinhos lentamente. Só quando o cordão para de pulsar é que se deve tirá-lo da água e colocá-lo no peito da mãe.
Para que tudo aconteça num clima de perfeita tranqüilidade, costuma-se preparar a sala de parto com essências aromáticas, luz branca e músicas escolhidas pela mamãe. A água da piscina é aquecida à uma temperatura de 36º C, que atenua a dor das contrações. Na maioria das vezes, não se usa nenhum tipo de anestesia.
Se a mãe está com idéia de fazer este tipo de parto, deve procurar fazer um curso especializado para aprender as técnicas de respiração e relaxamento. O pai também deve participar deste curso, pois no momento do parto, ele irá entrar junto com a mulher para apoiá-la e massageá-la. Ao médico, resta somente acompanhar atentamente o desenrolar do trabalho de parto, sem interferir muito. À medida que aumentam as contrações, é a mulher que determina qual a melhor posição para expulsar seu filho - em pé, de lado, de quatro, ou mesmo de joelhos.

Parto normal

Após a dilatação do colo do útero, que pode durar até dezoito horas na primeira gravidez, a gestante é colocada na posição ginecológica, na mesa de parto, onde o médico controlará todo o trabalho. Lá ela recebe a anestesia, na maioria das vezes, a peridural, que inibe a dor mas não tira a sensação das contrações nem o sentido do tato. Instrumentos e monitores acompanham passo a passo a evolução do trabalho de parto. A episiotomia, corte no períneo,(região que liga o ânus à vagina) é uma prática que tem três finalidades: facilitar a passagem do bebê, protegê-lo contra o desprendimento brusco e preservar os tecidos da vagina. Já sob o efeito da anestesia, a mulher é orientada pelo médico para fazer força e começa a expulsar a criança. Quando a cabeça dela aparece, o médico ajuda com as mãos a puxar o resto do corpo para fora. Depois de nascer, ainda ligada ao cordão umbilical, a criança é colocada sobre o peito da mãe. Somente após, o médico corta o cordão e encaminha a criança à sala de reanimação, onde vai passar pelo primeiro check-up. Enquanto isso, na sala de parto, a placenta é retirada pelo médico, que aproveita o efeito da anestesia para dar os pontos no períneo.

Parto a fórceps

O tempo em que se pensava que o uso de f'órceps era sinônimo de trauma e sofrimento, acabou-se. Hoje, esse instrumento cirúrgico tem um papel inverso, aliviando o trabalho do parto e poupando desgastes da mãe e do bebê.
Existem cerca de 500 modelos de fórceps, todos eles compostos de dois ramos (direito e esquerdo) que se dividem em forma de colher, articulação e cabo. Quando a criança já esta no canal do parto, mas tem dificuldade para sair, o médico introduz os ramos delicadamente na vagina, um de cada vez. As duas partes se encaixam nas têmporas do bebê, que é puxado para fora, ao mesmo tempo que a mãe faz força para expulsá-lo. Esta técnica é conhecida como fórceps de alívio. Ao contrário da versão atual, que só traz benefícios, quem metia medo era a antiga, onde o instrumento chamado como "Fórceps alto", era introduzido às escuras na vagina e buscava-se o bebê no útero, provocando sérias lesões que muitas vezes deixavam graves seqüelas, tanto no bebê como na mãe.

Parto Cesárea

A cesárea, apesar de ser muito realizada nos dias de hoje, é para situações anormais, quando não há chance da criança nascer naturalmente.
Na cesárea, após a anestesia, o médico corta sete camadas de tecido até chegar ao útero e, através de uma incisão de 10 cm, alargada por um instrumento especial, ele retira a criança, corta o cordão umbilical e limpa a cavidade uterina. Após o encaminhamento do bebê à sala de reanimação, o médico faz as suturas no caminho inverso, utilizando fios absorvíveis. Apenas o pequeno corte na pele é suturado com fios de nylon, que serão retirados uma ou duas semanas depois do parto, dependendo do tipo de sutura.
Se a mulher passar por duas cesarianas, fatalmente o terceiro parto será uma nova cesariana, pois a cicatriz uterina não suportaria o esforço de um parto normal.
Alguns dos motivos que levam os obstetras a optar por uma cesárea, são basicamente os seguintes:


- Cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê.
Esse é um problema que bloqueia a oxigenação do bebê.
Ele é detectado quando acontece uma desaceleração do batimento cardíaco da criança durante o parto.
Em muitos casos, esse problema pode ser detectado precocemente através de um ultra-som de rotina.
- Prolapso do cordão umbilical
Quando o cordão surge antes do aparecimento da criança, o parto não pode prosseguir, pois a cabeça do bebê certamente irá comprimir o cordão e interromper a oxigenação, já que a mesma é feita através dele.
- Deslocamento prematuro da placenta
Esse problema faz o útero ficar dolorido e contraído o tempo todo, e provoca um rompimento repentino da oxigenação fetal, sendo necessário realizar a cesárea imediatamente. Ele é caracterizado por um intenso sangramento vaginal que ocorre no último trimestre.
- Placenta prévia
É quando a placenta se situa no segmento inferior do útero, podendo até ficar à frente do bebê, impedindo sua passagem. Ela ocorre geralmente no 3º trimestre e é marcada por uma hemorragia com sangue vermelho rutilante. Ao contrário do descolamento prematuro da placenta, neste caso o útero tem consistência normal e é indolor.
- Sofrimento fetal agudo, devido à baixas reservas de oxigênio.
Esse problema pode ser detectado quando há alterações nos batimentos cardíacos do bebê, que são identificadas por um exame chamado cardiotocografia, feito durante todo o trabalho de parto. O líquido amniótico também é um indicativo: Se o bebê entrar em sofrimento, em razão da baixa oxigenação, pode começar a liberar fezes, fazendo com que o líquido se torne esverdeado.
- Infecções sexualmente transmissíveis
Quando, em um parto normal, o bebê pode contrair a doença durante a passagem pelo canal.
Um misto de curiosidade, preocupação e medo costumam povoar a mente da mulher grávida neste momento tão importante. É comum, entre outras coisas, o receio de falhar na hora H, não sabendo como expulsar a criança para fora do útero. Esta preocupação, no entanto, pode ser afastada se a futura mamãe se preparar durante a gravidez para enfrentar com tranqüilidade o momento culminante do parto.









In Planeta Bebé