Os Nossos Amigos

domingo, setembro 10, 2006

Quadrigémeos tiveram prendas do país inteiro

Tiago é o mais pequeno, sossegado e mimado dos quatro gémeos nascidos a 22 de Maio no Hospital de S. João, no Porto. E, no entanto, a alcunha que "a família de França" lhe deu é a de "Van Damme", actor belga de filmes de acção, perito a desenvencilhar-se do perigo. "Ele só adormece no colo, porque foi o último a sair do hospital. Todos pegavam nele para não ficar sozinho. Mas quando está acordado é um terror", afirma Ana, a mãe de 24 anos cuja vida deu uma volta maior do que poderia ter imaginado. "Se pudesse voltar atrás repetia tudo. Prefiro ter quatro filhos a não ter filho nenhum".

Enquanto ela via nascer, um a um, os quatro bebés - Tiago, Rafael, Beatriz e Iara, "mulher furacão" que acorda os irmãos todos quando chora -, Paulo, o companheiro de 26 anos, desdobrava-se em telefonemas para assegurar o futuro. Os apelos surtiram tal efeito que, quando os recorda, a voz ainda lhe treme. "Nunca pensei que houvesse, de Bragança ao Algarve, pessoas tão solidárias. Há quem pense que o Estado nos ajuda, mas as pessoas particulares é que nos têm valido".

Recebeu mais de mil telefonemas, cerca de seis mil euros, incontáveis pacotes de fraldas, roupa, mobiliário, berços, cadeiras. E uma casa nova, no Bairro de Parceria e Antunes, devido ao empenho pessoal de Rui Rio. "Na Câmara diziam que não tínhamos direito a nada, que a legislação mudou e que a prioridade é para as pessoas do S. João de Deus. Até que recebemos um telefonema de uma funcionária dizendo que o presidente tinha, pessoalmente, tratado do assunto".

Se não tivessem recebido a casa, um rés-do chão com quatro quartos, tinham já à disposição uma quinta, em Chaves. "Uma senhora ligou a convidar-nos para irmos morar com ela". Agradeceram, mas não aceitaram. A generosidade manteve-se. "Depositou 2500 euros e ofereceu-se para ser madrinha de uma criança". Aliás, há quem ligue todos os meses para acompanhar a evolução dos gémeos. Mas há também quem ligue a fazer outras ofertas. "Recebi propostas de 300 euros para vender um bebé", conta Paulo.

"Enquanto tiver mãos para trabalhar, hei-de lutar pelos meus filhos. Não há dinheiro que pague a felicidade de os ter". Mas trabalho é a etapa que falta cumprir. "Houve pessoas a oferecer emprego, mas quando fui à entrevista disseram que já não precisavam". Não desiste, mas começa a acusar o cansaço. "Às vezes, tenho que ir à praia só para soltar um grito".

Paulo e Ana estão a tomar antidepressivos para ultrapassarem o turbilhão de emoções. Desempregados, inscreveram-se no rendimento mínimo, mas não obtiveram resposta. A Segurança Social enviou-lhes duas amas, mas elas, adolescentes inexperientes, acabaram por ir embora. É a mãe de Ana, mulher de 50 anos, habituada à crueza da vida, que a deixou viúva aos 22 anos com dois filhos para criar, que depois do emprego os ajuda.

Apesar da preciosa colaboração, Ana e Paulo dormem pouco. Às vezes, esquecem-se de comer. "Temos 40 fraldas para mudar todos os dias e 20 biberões para dar. Quando acabamos, já passou o apetite", diz Ana. Ela tem 45 quilos e é "incapaz de desviar o olhar dos filhos".

Campanha em Outubro

O presente imediato está assegurado; o futuro é uma incógnita. Os quadrigémeos acumularam muitas fraldas e roupa até aos seis meses, mas a partir dessa etapa não possuem nada. Ainda por cima, uma das crianças rejeita o leite normal e cada lata do outro custa 17 euros. A Universidade Católica do Porto vai promover uma campanha em Outubro para ajudar esta família. E o NIB da Caixa Geral de Depósitos continua aberto à solidariedade 0035. 0296. 0000. 0342. 20002 . (Telemóvel do pai: 91 301 27 36).

1 comentário:

Ana De Sousa disse...

Adorei o post e nao consegui conter a lagrimazita:)
Muita boa sorte pra esta famila e que Deus os ajude.
Beijinhos