Como nem sempre os 1ºs. dias correm bem, dei o meu contributo para a revista "Sábado".
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quinta-feira, outubro 23, 2008
segunda-feira, junho 02, 2008
segunda-feira, maio 26, 2008
Parto respeitado
Entrevista com Luísa Condeço
Presidente da Associação Doulas de Portugal
Há partos respeitados nos hospitais portugueses?
Permitir à mulher fazer escolhas informadas deve fazer parte do esforço de humanização de que tanto de fala nos serviços de saúde?
Concorda com a criação de alternativas, no âmbito do sisterma nacional de saúde, ao nascimento hospitalar (casas de parto, nascimento no domicílio...)?
Presidente da Associação Doulas de Portugal
O que é um parto respeitado?
Um parto respeitado é um acontecimento onde se devolve o protagonismo à mulher e às suas escolhas informadas e conscientes, onde os procedimentos médicos utilizados são usados por necessidade médica e não por rotina ou ritual médico/social.
Um parto respeitado inclui as escolhas da mãe que promovem a sua auto-estima, a segurança e o conforto de todos os membros da família.
Onde a informação é fiável, ou seja, baseada em evidências científicas, e onde se entende o parto como um acontecimento social, psicológico mas acima de tudo, sexual na vida daquela mulher. Onde o parto é um acontecimento único e especial na vida de cada mulher, única e especial também.
Há partos respeitados nos hospitais portugueses?
Posso dizer que por vezes ouvimos histórias e relatos de partos humanizados, alguns deles, vindos do H. S. João do Porto e do H. Garcia da Orta, mas em geral todos os outros relatos contam-nos de induções sem necessidade médica, infusão de soro, tricotomia, amniotomias e episiotomia sem prescrição médica.
Mulheres ligadas ao CTG contínuo, deitadas grande parte do trabalho de parto, que têm os seus filhos deitadas de costas, sujeitas a puxos direccionados, afastadas dos seus bebés, bebés alimentados artificialmente sem igual necessidade médica, é o dia-a-dia nos Hospitais portugueses.
Permitir à mulher fazer escolhas informadas deve fazer parte do esforço de humanização de que tanto de fala nos serviços de saúde?
Parte daí, sim, mas não só. Há todo um processo longo que diz respeito aos serviços de saúde e seus profissionais.
A maior parte das mulheres informa-se com o seu médico, que muitas vezes não está ao corrente das últimas evidências ou que por vezes, cada vez menos comuns, marca o seu parto tendo em conta a sua vida social.
O esforço de humanização necessita de ser concentrado, de partir de um centro e espalhar-se, contagiar todos neste processo, desde as doulas, ainda muito poucas neste país, às enfermeiras carregadas de trabalho e mal pagas, aos médicos, muitas vezes fechados nas suas conchas receando processos, e às mulheres e suas famílias que se desresponsabilizam do maior e mais intenso momento das suas vidas.
Penso que as doulas podem ter um papel muito importante, pois faz parte da sua formação conhecerem as orientações da Organização Mundial de Saúde e as evidências científicas em relação à gravidez e ao parto e promovem assim escolhas mais conscientes.
É um longo e árduo processo mas vivemos numa época absolutamente extraordinária, fazemos todos parte de um momento histórico de mudança.
Nem sempre é fácil, mas somos nós que temos que a fazer avançar, cada um de nós conta neste momento histórico neste país.
Por que razão se perpetuam práticas e intervenções médicas que, está cientificamente provado, são prejudiciais para a saúde da mulher e do bebé?
Esta pergunta é delicada. Muitas vezes são bons profissionais de saúde que aprenderam com os seus professores ou sempre assim fizeram.
Muitas vezes aceitamos o qeu aprendemos na faculdade, pela boca dos outros, seja de que forma for, apenas porque questionarmos-nos dá trabalho, incomoda os outros e põe-nos numa situação delicada.
Não creio que os nossos profissionais façam episiotomias de rotina porque lhes diverte cortar o períneo às mulheres.
Não acredito que a tricotomia seja utilizada indiscriminadamente em muitas mulheres por uma questão de estética.
Acredito sim que em boa fé isso é feito porque se aprendeu que assim era.
E não se questionou. Nem ao professor, nem ao mestre, nem se discutiu alguma vez a sua indicação.
Os cursos de enfermagem e de medicina precisam de uma grande viragem, com cadeiras dedicadas à humanização do nascimento e de outras áreas da saúde, e observação profunda aos erros que cometemos até agora.
Deveríamos incitar os nossos profissionais de saúde a questionarem as suas práticas e verificarem conscientemente se estas são baseadas em crenças ou em medicina baseada em evidências científicas.
Concorda com a criação de alternativas, no âmbito do sisterma nacional de saúde, ao nascimento hospitalar (casas de parto, nascimento no domicílio...)?
Concordo em absoluto que se criem alternativas para as mulheres que assim o desejem.
Mas concordo ainda mais com a mudança de um sistema que, sendo utilizado por cerca de 99% das mulheres portuguesas, precisa de ajustes, ajustes esses que passam por uma maior dignificação da mulher, do devolver do seu protagonismo, nas suas escolhas informadas e conscientes.
O sistema actual não permite que a grande maioria das portuguesas tenha acesso a procedimentos médicos baseados em evidências científicas, que tenham acesso a escolhas saudáveis para o seu nascimento como mães, o nascimento saudável dos seus filhos e das novas famílias que daí emergem.
Daí concordar que as alternativas são importantes, mas que a humanização nos hospitais portugueses é algo necessário e urgente.
terça-feira, maio 20, 2008
Parto respeitado
Entrevista com Diogo Ayres de Campos
Director do Serviço de Obstetrícia do Hospital de São João, no Porto
O que é um parto respeitado?
A meu ver, o parto respeitado é aquele em que a grávida é tratada com toda a dignidade que merece, estando no centro das decisões relativas à orientação do parto.
Director do Serviço de Obstetrícia do Hospital de São João, no Porto
O que é um parto respeitado?
A meu ver, o parto respeitado é aquele em que a grávida é tratada com toda a dignidade que merece, estando no centro das decisões relativas à orientação do parto.
Não nos podemos esquecer que o parto hospitalar em Portugal é uma história de grande sucesso relativamente a desfechos de saúde, com taxas de mortalidade materna e perinatal inferiores a muitos países industrializados.
Assim, é necessário que o parto continue a ser um evento seguro, mas que seja também cada vez mais uma experiência psicologicamente satisfatória e um momento de junção do núcleo familiar.
Há partos respeitados nos hospitais portugueses?
Tenho assistido nos últimos anos a enormes melhoramentos na forma como os partos hospitalares são conduzidos em Portugal, pelo que estou certo de que estamos a caminhar no sentido correcto.
Há partos respeitados nos hospitais portugueses?
Tenho assistido nos últimos anos a enormes melhoramentos na forma como os partos hospitalares são conduzidos em Portugal, pelo que estou certo de que estamos a caminhar no sentido correcto.
No entanto, existem diversos aspectos da humanização que têm muito a ver com aspectos culturais, relacionados com o respeito e preocupação genuínos pelo próximo; de forma a se evitarem comentários paternalistas, julgamentos desrespeitosos e conflituosidade desnecessária. Estas alterações levam tempo a acontecer e dependem muito das opções tomadas na educação das gerações mais novas.
Permitir à mulher fazer escolhas informadas deve fazer parte do esforço de humanização de que tanto de fala nos serviços de saúde?
Claramente que as escolhas informadas devem fazer parte do dia a dia dos cuidados de saúde, incluíndo dos cuidados obstétricos durante o trabalho de parto.
Permitir à mulher fazer escolhas informadas deve fazer parte do esforço de humanização de que tanto de fala nos serviços de saúde?
Claramente que as escolhas informadas devem fazer parte do dia a dia dos cuidados de saúde, incluíndo dos cuidados obstétricos durante o trabalho de parto.
A meu ver, este é o aspecto mais relevante do parto respeitado.
Por que razão se perpetuam práticas e intervenções médicas que, está cientificamente provado, são prejudiciais para a saúde da mulher e do bebé?
Não é fácil alterar rotinas utilizadas nos hospitais há muitos tempo com a plena convicção de que são benéficas.
Por que razão se perpetuam práticas e intervenções médicas que, está cientificamente provado, são prejudiciais para a saúde da mulher e do bebé?
Não é fácil alterar rotinas utilizadas nos hospitais há muitos tempo com a plena convicção de que são benéficas.
Não basta questionar a utilidade dessas rotinas de acordo com a evidência científica.
É necessário que os profissionais ganhem confiança pessoal com a implementação das mudanças e possam comprovar as suas consequências benéficas.
Tudo isto leva tempo e é dificultado pela realidade dos Blocos de Parto, onde trabalham um número elevado de profissionais em esquema de turnos, tornando as reuniões colectivas difíceis de concretizar.
Concorda com a criação de alternativas, no âmbito do sisterma nacional de saúde, ao nascimento hospitalar (casas de parto, nascimento no domicílio...)?
Sempre fui um defensor das casas de parto contíguas aos hospitais com cuidados obstétricos, onde as parturientes de baixo risco poderiam optar por ter o parto orientado por enfermeiros especialistas. Estas casas de parto necessitam de um acesso rápido a cuidados obstétricos urgentes.
Concorda com a criação de alternativas, no âmbito do sisterma nacional de saúde, ao nascimento hospitalar (casas de parto, nascimento no domicílio...)?
Sempre fui um defensor das casas de parto contíguas aos hospitais com cuidados obstétricos, onde as parturientes de baixo risco poderiam optar por ter o parto orientado por enfermeiros especialistas. Estas casas de parto necessitam de um acesso rápido a cuidados obstétricos urgentes.
Tenho sérias dúvidas que o parto domiciliar seja uma alternativa viável e segura em Portugal. Ao contrário do que acontece em outros países europeus onde o parto domiciliar é uma realidade relevante, em Portugal existem grandes distâncias entre muitas povoações, o que dificulta o acesso rápido a cuidados médicos, tornando o parto domiciliar potencialmente mais arriscado.
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